Auschwitz-Birkenau foi o maior campo de concentração e extermínio da Alemanha nazi. Entre 1940 e 1945 foram ali assassinadas cerca de 1,1 milhões de pessoas, perto de um milhão das quais judeus. Construído nos arredores da cidade polaca de Oświęcim, que os alemães anexaram ao Reich e rebatizaram Auschwitz, passou de campo para presos políticos polacos a centro do assassínio em massa dos judeus da Europa.
Este artigo acompanha a história do campo ano a ano: como foi construído, como mudou a sua função, quem ali esteve preso e foi morto, como os prisioneiros resistiram e o que aconteceu quando o exército soviético chegou, em janeiro de 1945. Termina com o que resta hoje, no Memorial e Museu de Auschwitz-Birkenau.
1940–1941: Auschwitz I, um campo para prisioneiros polacos
As SS escolheram o local no início de 1940: um conjunto de antigos quartéis do exército polaco nos arredores de Oświęcim, perto de importantes linhas ferroviárias. Rudolf Höss foi nomeado comandante a 4 de maio de 1940. Os habitantes da zona foram expulsos e as suas casas demolidas ou ocupadas pelas SS.
A 14 de junho de 1940 chegou o primeiro transporte em massa: 728 presos políticos polacos vindos da prisão de Tarnów. Nos dois primeiros anos, a maioria dos prisioneiros de Auschwitz eram polacos, entre eles membros da resistência, da intelectualidade e do clero. Sobre o portão do campo principal, hoje conhecido como Auschwitz I, as SS colocaram a inscrição «Arbeit macht frei» («o trabalho liberta»), um lema cínico num lugar onde os prisioneiros morriam de trabalho, fome e espancamentos.
Em 1941 o campo foi ampliado. Começaram a chegar em grande número prisioneiros de guerra soviéticos, e as SS usaram-nos nas primeiras execuções com gás. Por volta de 3 de setembro de 1941, nas caves do Bloco 11, cerca de 850 pessoas foram assassinadas com Zyklon B: cerca de 600 prisioneiros de guerra soviéticos e 250 prisioneiros polacos doentes do hospital do campo. Em outubro de 1941 começou a construção de um segundo campo, muito maior, na aldeia vizinha de Brzezinka, em alemão Birkenau.
1942–1944: Birkenau e o assassínio dos judeus da Europa
A partir de março de 1942 Birkenau funcionou como centro de extermínio, e Auschwitz tornou-se o maior local do Holocausto. Os comboios traziam judeus de toda a Europa ocupada: da Polónia, França, Países Baixos, Bélgica, Grécia, Itália, Checoslováquia, Alemanha e outros países. À chegada, os médicos das SS faziam seleções. Uma minoria era registada como prisioneiros para trabalho forçado. Os idosos, os doentes, a maioria das mulheres com crianças e as próprias crianças eram enviados diretamente para as câmaras de gás, normalmente poucas horas depois de saírem do comboio.
Birkenau foi construído em grande escala, com barracões de madeira e de tijolo, câmaras de gás e crematórios, e armazéns onde se separavam os bens das pessoas assassinadas. As condições de vida no campo eram deliberadamente mortais: a fome, as doenças, o frio, os espancamentos e as execuções mataram dezenas de milhares de prisioneiros registados. Os médicos das SS realizaram também experiências pseudomédicas em prisioneiros, incluindo crianças.
Monowitz e os subcampos
No final de outubro de 1942 as SS abriram um terceiro campo principal em Monowitz, que fornecia prisioneiros como mão de obra forçada à empresa química IG Farben. À volta de Auschwitz surgiu uma rede de subcampos junto de minas, fábricas e quintas, onde os prisioneiros trabalhavam para a indústria alemã.
1944: a deportação dos judeus da Hungria
A maior deportação ocorreu em 1944. Entre 15 de maio e 9 de julho, cerca de 440 000 judeus foram deportados da Hungria, a maioria para Auschwitz-Birkenau. Para acelerar a matança, a linha férrea foi prolongada até ao interior do campo e construiu-se uma nova rampa de desembarque dentro de Birkenau. A maioria dos judeus húngaros foi assassinada nas câmaras de gás pouco depois de chegar.
Nesse verão as SS liquidaram também o chamado campo familiar cigano de Birkenau. A 2 de agosto de 1944 os 2897 ciganos roma e sinti que restavam foram assassinados nas câmaras de gás. A data é hoje o Dia de Memória do Genocídio dos Roma e Sinti.
Resistência e fugas
Mesmo em Auschwitz os prisioneiros organizaram-se. Grupos clandestinos faziam entrar comida e medicamentos, documentavam os crimes das SS e passavam informações para o exterior, muitas vezes com a ajuda dos habitantes das aldeias vizinhas. O oficial polaco Witold Pilecki deixou-se prender em 1940 para entrar no campo, criou lá dentro uma rede de resistência e fugiu em 1943 para relatar o que tinha visto.
As fugas eram raras e extremamente perigosas, mas algumas tiveram êxito. Em abril de 1944 dois prisioneiros judeus eslovacos, Rudolf Vrba e Alfred Wetzler, fugiram e escreveram um relatório pormenorizado sobre as câmaras de gás e as deportações, um dos primeiros testemunhos oculares sobre o campo a chegar aos Aliados.
O ato de resistência mais dramático ocorreu a 7 de outubro de 1944. Os prisioneiros do Sonderkommando, as unidades obrigadas a trabalhar nas câmaras de gás e nos crematórios, souberam que iam ser mortos e revoltaram-se contra as SS. Incendiaram o Crematório IV e atacaram os guardas. Alguns conseguiram fugir, mas quase todos foram capturados. Cerca de 450 membros do Sonderkommando morreram na revolta, na fuga e nas represálias que se seguiram.
1945: as marchas da morte e a libertação
Quando o exército soviético avançou, em janeiro de 1945, as SS tentaram apagar as provas. Os documentos foram queimados e, entre 21 e 26 de janeiro, os alemães fizeram explodir as câmaras de gás e os crematórios de Birkenau.
A 17 de janeiro as SS começaram a evacuar o campo. Quase 60 000 prisioneiros foram obrigados a marchar para oeste, pela neve e pelo gelo, até estações ferroviárias da Silésia, de onde foram levados para campos no interior do Reich. Quem não conseguia acompanhar era abatido. Milhares morreram nestas marchas da morte.
A 27 de janeiro de 1945 soldados do exército soviético entraram em Auschwitz, Birkenau e Monowitz. Encontraram cerca de 7000 prisioneiros, na maioria doentes e exaustos, abandonados pelas SS. Muitos morreram nos dias e semanas após a libertação, apesar dos cuidados médicos organizados pelo exército soviético e pela Cruz Vermelha Polaca. Em 2005 as Nações Unidas proclamaram o 27 de janeiro Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Saiba mais no nosso artigo sobre a libertação de Auschwitz.
As vítimas de Auschwitz
Segundo a investigação do Memorial de Auschwitz-Birkenau, cerca de 1,1 milhões de pessoas foram assassinadas em Auschwitz. Nove em cada dez eram judeus.
| Grupo | Número aproximado de vítimas |
|---|---|
| Judeus | 1 000 000 |
| Polacos | 70 000–75 000 |
| Roma e sinti | 21 000 |
| Prisioneiros de guerra soviéticos | 15 000 |
| Prisioneiros de outras nacionalidades | 10 000–15 000 |
Fonte: Memorial e Museu de Auschwitz-Birkenau, com base na investigação de Franciszek Piper. Saiba mais no nosso artigo sobre as vítimas de Auschwitz.
Por trás de cada número está uma pessoa com um nome, uma família e uma vida antes do campo. A maioria dos judeus deportados para Auschwitz nunca foi registada: foram assassinados no próprio dia da chegada, pelo que, para muitos deles, não existe qualquer registo do campo.
Depois de 1945: o Memorial e Museu
Os sobreviventes estiveram entre os primeiros a insistir na preservação do local. A 2 de julho de 1947 o parlamento polaco aprovou uma lei para proteger «para sempre» o terreno e os edifícios do antigo campo e criou ali um museu estatal. Em 1979 o local foi inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO; hoje figura como Auschwitz Birkenau, campo de concentração e extermínio nazi alemão (1940–1945).
Hoje o Memorial e Museu de Auschwitz-Birkenau gere Auschwitz I e Birkenau, conserva os barracões que restam, as ruínas das câmaras de gás e os bens das vítimas, e desenvolve um vasto programa de educação e investigação. O comandante do campo, Rudolf Höss, foi julgado na Polónia depois da guerra e enforcado em 1947 em Auschwitz I, a pouca distância da casa onde vivera com a família.
Visitar o Memorial não é como visitar um museu de história distante. É um cemitério e um lugar de memória, onde se pede aos visitantes respeito e silêncio. Uma visita guiada com um educador do Memorial dura cerca de três horas e meia e inclui Auschwitz I e Birkenau.
Perguntas frequentes
As SS criaram Auschwitz I na primavera de 1940, e o primeiro transporte de 728 prisioneiros polacos chegou a 14 de junho de 1940. A construção de Birkenau começou em outubro de 1941, e Monowitz abriu no final de outubro de 1942.
Na cidade de Oświęcim, no sul da Polónia, a cerca de uma hora de carro a oeste de Cracóvia. Durante a guerra a região foi anexada ao Reich alemão, e os alemães rebatizaram a cidade Auschwitz.
Não. Auschwitz foi construído e gerido pela Alemanha nazi em território polaco ocupado. A designação correta é campo de concentração e extermínio nazi alemão.
Cerca de 1,1 milhões de pessoas, perto de um milhão das quais judeus. As outras vítimas foram sobretudo polacos, roma e sinti e prisioneiros de guerra soviéticos.
Soldados do exército soviético, a 27 de janeiro de 1945. Encontraram nos campos cerca de 7000 prisioneiros ainda vivos.
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